Um novo mundo - A re-invenção de nós mesmos

Na era da informação tornou-se quase obrigatório compartilhar suas idéias, seus paradigmas, suas angústias... Mas há que se olhar os tempos de globalização com outros olhos. Compartilhar pode ser o novo mecanismo de se re-educar e se re-inventar ao ouvir o outro. Em alguns momentos é preciso, como dizia Guimarães Rosa, um tanto de solidão e uma área de surdina nos contatos verdadeiramente importantes. Mas mesmos os contatos profundos, começaram um dia ao compartilhar um pouco de nós mesmos!
BEM VINDO!

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Counting Crows e Elitismo Cultural


Em 2002 fui a cidade de São Paulo para visitar a exposição "Os Guerreiros de Xian", um exército de terracota, ou ainda Exército do imperador Qin, que é uma coleção de figuras de guerreiros e cavalos em tamanho natural feitas de terracota, encontradas próximas do mausoléu do primeiro imperador da China perto da cidade de Xian. Pois bem, após a visita perambulando pela cidade sem conhecer nada fomos parar em um bar com um delicioso tira-gosto e uma música ao vivo muito agradável. Ouvi lá pela primeira vez uma música que só anos depois vim saber se chama Mr. Jones e é da banda Counting Crows. A música tem uma batida gostosa e sempre me ajudava a melhorar o astral quando estava pra baixo. Mas não conhecia mais nada desta banda. Nem uma única música a não ser a citada. Em viagem aos Estados Unidos em julho deste ano (2009) ao andar por uma das imensas lojas de eletrônicos em Pittsburgh (PA) , eis que encontro o álbum duplo " August and Everything After". Pus logo no meu carrinho de compras. U$30. Meu marido olha com cara perplexa no caixa e pergunta: você conhece esta banda? Digo que sim e ele me pede para cantar uma música. Canto um pedaço de Mr. Jones e compro os CDs. ADOREI. Simplesmente adorei TODAS as músicas do CD. E isso me levou a pensar no elitismo cultural em que vivemos. Quem gosta de música clássica e jazz é metido a besta. Quem gosta de funk é favelado. Quem gosta de sertanejo e axé é brega. Emo é só para adolescente. Rock é coisa de maluco. Pois para mim chega! Resolvi dar um basta. E declaro publicamente que adoro Bach, Mozart e Vivaldi. Gosto de música céltica e de bandas irlandesas e acho a música popular brasileira de Chico Buarque, Caetano, Gilberto Gil, Dorival Caymme, Paulinho da Viola e Maria Rita maravilhosa. Gosto e danço forró e axé toda vez que tenho oportunidade. E não gosto de funk nem de sertanejo do mesmo jeito que não gosto de picolé de côco ou de café. Não gosto porque não gosto. Não apela aos meus sentidos. E não porque é música desta ou daquela classe social. Chega de rotular todo mundo e colocar todo mundo em caixas pré-definidas. E ouçam o Counting Crows . Eles são espetaculares. Agora eu conheço mesmo.