Pois é ... Hoje a procura do blog da minha filhota (que não encontrei aliás, terei que pedir a ela o link - vexame...) me deparei com este canto de pensamento aqui, em que não escrevi mais... Foram só duas postagens e depois fui engolida novamente pelo cotidiano. Resolvi escrever novamente. Gosto de escrever, me sinto confortável no universo das palavras. Se é assim, porque então dois (!) anos sem postar? Porque a gente se perde. Porque o cotidiano, como já disse, nos engole. Porque o tempo parece pouco para tanto a fazer e as atividades prazerosas ocupam um espaço cada vez mais reduzido em nossa agenda tão lotada. Mas é um pouco triste se perder. Me lembro com saudades do tempo livre da adolescência que gastei colecionando textos e poesias e lendo livros espetaculares. Se perder significa um pouco se deixar automatizar e executar as tarefas do dia a dia no automático sem se encantar ou se enfurecer com o que te cerca. Pois está ai: quero me encantar e me enfurecer. Com as coisas grandes e as pequenas. Nem sei mais se o espírito moido pelo dia-a-dia vai ter facilidade em fazer isto. Mas eu vou tentar. Como diz o ditadinho em inglês "Get busy living or get busy dying*". Acho que a frase é de um filme. Mas é boa de qualquer maneira. É isso ai!
(* Se ocupe vivendo ou morrendo seria a tradução livre)
quarta-feira, 16 de março de 2011
terça-feira, 1 de setembro de 2009
Counting Crows e Elitismo Cultural
Em 2002 fui a cidade de São Paulo para visitar a exposição "Os Guerreiros de Xian", um exército de terracota, ou ainda Exército do imperador Qin, que é uma coleção de figuras de guerreiros e cavalos em tamanho natural feitas de terracota, encontradas próximas do mausoléu do primeiro imperador da China perto da cidade de Xian. Pois bem, após a visita perambulando pela cidade sem conhecer nada fomos parar em um bar com um delicioso tira-gosto e uma música ao vivo muito agradável. Ouvi lá pela primeira vez uma música que só anos depois vim saber se chama Mr. Jones e é da banda Counting Crows. A música tem uma batida gostosa e sempre me ajudava a melhorar o astral quando estava pra baixo. Mas não conhecia mais nada desta banda. Nem uma única música a não ser a citada. Em viagem aos Estados Unidos em julho deste ano (2009) ao andar por uma das imensas lojas de eletrônicos em Pittsburgh (PA) , eis que encontro o álbum duplo " August and Everything After". Pus logo no meu carrinho de compras. U$30. Meu marido olha com cara perplexa no caixa e pergunta: você conhece esta banda? Digo que sim e ele me pede para cantar uma música. Canto um pedaço de Mr. Jones e compro os CDs. ADOREI. Simplesmente adorei TODAS as músicas do CD. E isso me levou a pensar no elitismo cultural em que vivemos. Quem gosta de música clássica e jazz é metido a besta. Quem gosta de funk é favelado. Quem gosta de sertanejo e axé é brega. Emo é só para adolescente. Rock é coisa de maluco. Pois para mim chega! Resolvi dar um basta. E declaro publicamente que adoro Bach, Mozart e Vivaldi. Gosto de música céltica e de bandas irlandesas e acho a música popular brasileira de Chico Buarque, Caetano, Gilberto Gil, Dorival Caymme, Paulinho da Viola e Maria Rita maravilhosa. Gosto e danço forró e axé toda vez que tenho oportunidade. E não gosto de funk nem de sertanejo do mesmo jeito que não gosto de picolé de côco ou de café. Não gosto porque não gosto. Não apela aos meus sentidos. E não porque é música desta ou daquela classe social. Chega de rotular todo mundo e colocar todo mundo em caixas pré-definidas. E ouçam o Counting Crows . Eles são espetaculares. Agora eu conheço mesmo.
Marcadores:
cultura,
elitismo cultural,
música
sábado, 29 de agosto de 2009
Mãos dadas
Não serei o poeta de um mundo caduco
Também não cantarei o mundo futuro
Estou preso a vida e olho meus companheiros
Estão taciturnos, mas nutrem grandes esperanças
Entre eles, considero a enorme realidade
O presente é tâo grande, não nos afastemos
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história
Não direi suspiros ao anoitecer a paisagem da janela,
Não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida
Não fugirei para ilhas nem serei raptado por serafins
O tempo é minha matéria, o tempo presente,
os homens presentes, a vida presente.
Não serei o poeta de um mundo caduco
Também não cantarei o mundo futuro
Estou preso a vida e olho meus companheiros
Estão taciturnos, mas nutrem grandes esperanças
Entre eles, considero a enorme realidade
O presente é tâo grande, não nos afastemos
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história
Não direi suspiros ao anoitecer a paisagem da janela,
Não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida
Não fugirei para ilhas nem serei raptado por serafins
O tempo é minha matéria, o tempo presente,
os homens presentes, a vida presente.
Carlos Drummond de Andrade
Assinar:
Comentários (Atom)